15 ANOS DA DIOCESE DE CASTANHAL

Dom Carlos Verzeletti envia mensagem por ocasião do aniversário da Diocese de Castanhal, leia na íntegra;

Caros filhos e filhas,

Neste domingo celebramos o 15º aniversário de fundação da nossa Diocese Santa Maria Mãe de Deus, era 29 de janeiro de 2004 quando São João Paulo II publicou a Bula que criava a nossa nova diocese e no mesmo dia nomeava a mim como primeiro Bispo diocesano, a Bula assinada pelo Papa São João Paulo II começava assim;

Para cuidar mais eficazmente do bem espiritual dos fiéis, os veneráveis irmãos Dom Vicente Joaquim Zico, então arcebispo metropolitano de Belém do Pará, e Dom Luiz Ferrando, Bispo de Bragança do Pará, tendo ouvido a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, solicitaram a esta Sé Apostólica que desmembrando as circunscrições eclesiásticas a eles confiadas se criasse uma nova Diocese, então usando do nosso supremo poder apostólico, decretamos o que segue…


A Bula descreve quais foram os municípios que antes faziam parte de Arquidiocese de Belém e que agora pertenceriam à nova Diocese, como também São Domingos do Capim, antes pertencente à Diocese de Bragança, também faria parte da nova Diocese.


Já se passaram quinze anos, lembro que naquela manhã reuni os padres, os diáconos, os seminaristas e as religiosas no Colégio São José. Alí foi dada a notícia. Comigo estava Dom Orani, o então Arcebispo de Belém, foi um momento de muita emoção, e foi Dom Orani que deu a notícia, depois passou a palavra pra mim, e ali fiz um discurso bastante longo, antes de tudo manifestando a minha disponibilidade para esta missão, reconhecendo as minhas fraquezas, vendo o trabalho a ser feito nesta nova Diocese, convocando todos os padres, leigos, religiosas e diáconos para um trabalho de comunhão, porque o que falava naquele dia, continuo repetindo, a Diocese não é do Bispo, não é do padre, e não é de um ou de outro, somos igreja e como igreja temos que cuidar dela. Temos sobretudo que cuidar daqueles que mais sofrem, daqueles que vivem na exclusão, daqueles que passam necessidade e temos que procurar alcançar aqueles irmãos que se distanciaram da Igreja.


Quinze anos depois, olhando para trás tenho muito para agradecer, nossa Diocese cresceu muito, Deus Manifestou de mil maneiras sua bondade entre nós, quantas oportunidades de bem, quantos sinais do seu amor, ao mesmo tempo temos que ter consciência que ao longo desses quinze anos falhamos, os pecados de cada um de nós, os meus do Bispo, dos padres, de tantos leigos, podíamos fazer mais e melhor, cuidar mais e melhor um do outro, das nossas comunidades, nós falhamos sim, e temos que reconhecer e pedir perdão.


Ao mesmo tempo olhamos para frente, e olhamos com esperança, apesar dos desafios das dificuldades, das mudanças constantes, do esvaziamento que sentimos dos nossos interiores para as periferias das grandes cidades, apesar de ver alguns dos nossos irmãos católicos abandonar o seu batismo para irem para outras igrejas, apesar de todos os problemas que temos, temos um olhar de esperança, que vem exatamente de Jesus, do seu Espírito, da sua presença entre nós, temos muito a fazer, mas nada devemos fazer sozinhos, devemos trabalhar juntos, devemos assumir com coragem a missão, porque esse nosso tempo tem que ser sobretudo tempo de missão.


Se nós igreja não assumirmos a missão, então o nosso trabalho será em vão, o Papa Francisco insiste há tanto tempo à conversão pastoral, o que é conversão pastoral? É exatamente fazer com que tudo na Igreja tenha este gosto, este espírito missionário, então que esta data, este dia 29 de dezembro seja dia para renovar o compromisso de cada um de nós. Eu sou Igreja, eu amo a minha Igreja, eu quero bem a minha Igreja, então eu vivo a missão, eu assumo a missão a partir da minha casa, da minha comunidade, da minha paróquia, da minha pastoral onde estou inserido, do lugar de trabalho onde eu passo os dias de toda a semana, lá procuremos ser sinal do amor do Senhor.


Como falamos na última Assembleia, nosso objetivo é ser uma Igreja de portas abertas, uma igreja que se reúne para poder se alimentar com a Palavra, com o pão da Eucaristia e que sai para evangelizar. Esses são os quatro pilares fundamentais que sustentam a vida da nossa Igreja deste chão da Amazônia.

Que Deus abençoe todos os nossos padres, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas engajados nas nossas pastorais, cada um renove o seu sim para colaborar e fazer com que esta Igreja seja mais santa, mais autêntica, possa fazer transparecer no seu agir o amor do Senhor.

Com minha bênção;


Castanhal, 28 de dezembro de 2019

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