Conheça mais sobre a Paróquia São José


“À medida que os colonos iam se instalando nesses espaços de colonização, eles próprios também se inseriam nos trabalhos de estruturação das áreas de colonização” (p.277. Lacerda, 2006). Essa também foi a realidade do Núcleo de Castanhal, que logo além iria ter a importante presença do Padre Cônego Luís Leitão.

Em uma época de desbravamento e constantes desafios, no início da urbanização de Castanhal, segundo o artigo da Associação Brasileira de História das Religiões – ABHR, padre Cônego Luís Leitão, migrante nordestino, chega a Castanhal com missão religiosa de evangelizar a vila, até em tão vila de Castanhal.

Em um contexto de formação urbana, onde a ferrovia corria levando esperança e alimentando os núcleos colônias, Padre Cônego construía ideais voltados à evangelização. Nessa perspectiva a igreja Matriz de São José foi construída. O artigo da ABHR nos fala que “Inaugurada a estrada de ferro, restou-nos compreender os primeiros esforços empreendidos no processo de urbanização de Castanhal e a isto recorremos às impressões deixadas pelo Cônego Leitão no livro de tombo da Igreja” (p.2, ABHR).

Muitas foram as dificuldades naquele início do século XX em Castanhal, dentre elas, a ABHR, destaca, devido “a crise que infestou o Pará, com a desvalorização da borracha, deixei de receber o vencimento como empregado do grupo escolar, [...] e os recursos financeiros da paróquia foram também desaparecendo” (P.15, apud ABHR), o relato acima foi retirado do livro de Tombo da igreja matriz de São José.

Segundo a Associação Brasileira de História das Religiões, a crise da economia da borracha também foi sentida na vila de Castanhal. Ainda segundo ABHR, afetou notoriamente os projetos do Padre Cônego Leitão, que se viu na necessidade de encontrar meios, através de leilões e doações, até mesmo recorreu à diocese, na época diocese de Belém, para angariar fundos no intuito de não paralisar a construção.

Uma das justificativas para a construção da matriz de São José, presente no artigo da ABHR, e constatada no livro do tombo da igreja de São José, está no seguinte relado do Padre Cônego Luís Leitão: “compreende-se, facilmente, o desgosto que experimenta o padre católico, quando se vê obrigado a administrar os sacramentos em local não apropriado para tal sublime mistério, e daí a ideia de edificar um templo”, ou seja, a vila de Castanhal tinha a grande necessidade de um templo católico para serem realizados os sacramentos.

Além da construção da igreja Matriz, o padre Leitão não mediu esforços para aprimorar e expandir a educação na cidade, pois de acordo com o estudos da ABHR, foi o primeiro diretor do grupo escolar. Assim, Castanhal viu um pároco envolvido na comunidade, levando esperança e desenvolvimento, através da presença da igreja Católica na orientação da palavra de Deus e celebração dos sacramentos, que produziam e produzem muitos frutos.

Segundo a ABHR, Apesar das inúmeras dificuldades da época, a primeira paróquia de Castanhal foi sendo erguida com a presença de pessoas da comunidade Católica. Podemos imaginar uma pequena vila, cortada pelos trilhos da Maria Fumaça, com grandes necessidades de infraestrutura. É neste contexto que a Igreja passa a atuar na construção, não apenas de um prédio físico, mas da alegria presente no evangelho, uma alegria capaz de enfrentar as dificuldades de estrutura, uma alegria capaz de superar uma enorme crise econômica, para possibilitar uma maior reflexão em torno dos sacramentos da igreja, que nos apresentam a Deus.

Luiz Tavares


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