Ouvir, silenciar e responder - uma lição com Maria


O mês mariano vai terminando e vivemos dias complicados. Na verdade, já passam algumas semanas de instabilidade no Brasil. Tantas vozes, tantas pessoas aparecendo com soluções milagrosas ou críticas ácidas... Os ânimos vão desde desprezo até discussões acaloradas e panelaços.

Mas voltando à Maria, o que temos a aprender?

Maria, sujeito do silêncio – ao receber a saudação dos pastores, Maria “guardava aquelas palavras em seu coração” (cf. Lc 2, 19).

A figura de Maria se apresenta como alguém que ouve e responde, tendo cuidado de refletir. O que isso nos ensina? Vivemos sendo constantemente chamados a responder – mensagens, impulsos, propagandas, etc. – sem nos dar conta do valor da palavra. E mais: da existência de coisas que é melhor guardar e amadurecer o coração.

Isso não tem a ver com passividade ou inércia, mas sim com sabedoria. Que sabedoria saber quando e o que falar! Mas além de dom, isso é um exercício que demanda vontade a atenção. Quantas coisas não fazem sentido apenas um tempo depois, na vida? Por isso, guardar no coração e amadurecer é fundamental para manter uma boa relação consigo e com os irmãos.

Fechar os ouvidos ao irmão é na maioria das vezes o caminho mais fácil. “Bater panelas” ou iniciar uma guerra parece ser o caminho mais acertado para muitas pessoas. Mas é só do diálogo, da comunicação, que pode emergir a nossa vocação humana, que é interagir uns com os outros e construir relações e projetos.

Um bom começo seria perguntar-se: “essa palavra, essa discussão, irá acrescentar algo à minha vida e à vida do meu irmão?”, “estou disposto a respeitar seu ponto de vista, ainda que não concorde com ele?”. Cristãos sujeitos do silêncio e do diálogo reflexivo – eis um belo caminho a se trilhar para a paz!

Sair do rumo da intolerância, em passos firmes para o Reino.


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