Entenda mais sobre a Comissão Justiça e Paz


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Nosso amigo Victor Paiva, OFS, esclarece neste texto de forma clara e detalhada,

como funciona a Comissão Justiça e Paz na Diocese de Castanhal.

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Tu tens a fé, e eu tenho as obras! Mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé a partir de minhas obras!” (Tg 2,18). Não de hoje, a Igreja Católica assume para si responsabilidades na luta pelos direitos humanos básicos das pessoas, pois “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, n. 1).

A Comissão Justiça e Paz (CJP) é um organismo da CNBB, para animar a Igreja a assumir a dimensão da justiça e paz como elo fundamental para a própria evangelização. Evangelizar é propor uma nova forma de vida, novas formas de relações. A fé cristã não pode deixar-se relegar ao plano individual-intimista, mas também social-comunitário. Em nossa sociedade, tão sedenta de claras opções pelo bem, a Igreja permanece como um dos poucos lugares de real interesse pela pessoa humana e pela sua dignidade integral. Evangelizar, hoje, supõe gastar a voz também no grito por uma sociedade mais justa e fraterna.

A CJP, portanto, tem por objetivo geral refletir conjuntamente, periodicamente e sistematicamente, sobre a realidade em que está inserida, procurando apontar o que precisa ser feito nessa realidade para que seja efetivamente construída uma sociedade justa, igualitária e fraterna. E, ainda, por objetivos específicos: difundir os ideais de Justiça e Paz e os ensinamentos da Igreja; aprofundar a reflexão sobre os direitos humanos nos campo social, econômico e político; ajudar a sociedade a tomar posições públicas; contribuir para a formulação de propostas de soluções dos desafios; contribuir para uma cultura de cidadania; atuar na defesa das pessoas e na educação solidária, e atuar junto aos poderes competentes no sentido de viabilizar propostas para a sociedade.

Em Castanhal, a proposta de criação da CJP se deu a partir do Seminário sobre a Laudado Si’, promovido pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), em maio deste ano no Cenóbio da Transfiguração, envolvendo sete dioceses e prelazias do Regional Norte II da CNBB. Este encontro proporcionou a criação de uma agenda da CJP Regional com a Diocese de Castanhal que permitiu a criação da CJP local, atualmente composta por sete pessoas.

Como eixos de ação local a CJP escolheu: Formação; Meio Ambiente e Violência. Tais eixos mostram os focos da ação da Comissão, embora seu trabalho não fique restrito a eles. A CJP Castanhal está em fase de estruturação de sua equipe e de seus trabalhos, organizando parcerias e relações. Recentemente assumiu uma cadeira efetiva no Fórum Municipal de Economia Solidária, participando das discussões desta instituição, inclusive na Câmara Municipal de Castanhal, pedindo por políticas públicas voltadas para os catadores, artesãos e outros trabalhadores da cidade.

Os próximos passos serão a realização de um debate sobre a pobreza, em Castanhal, no Dia Mundial dos Pobres (19/11) às 08h00 no Auditório da Catedral; a conscientização de nossas lideranças pastorais por meio de formações e a articulação conjunta da Campanha da Fraternidade 2018: “Fraternidade e superação da violência”, entre outras ações que permitam à Igreja estabelecer o devido diálogo com a sociedade, se fazendo uma com aquelas vozes que clamam pela justiça e pela paz.

Victor Paiva, OFS

Vice Coordenador da Comissão Justiça e Paz Castanhal


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