FORMAÇÃO - Dom Carlos fala às famílias e catequistas


Igrejas Domésticas

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Olá amigos da Diocese de Castanhal, daqui do site e todos aqueles que têm acompanhado nossas atualizações com muita dedicação. Esta semana, de 13 a 17 de novembro, estamos realizando um conjunto de ensinamentos realizados por Dom Carlos acerca da "Família como berço da iniciação cristã."

Os textos estão chegando em seu email todos os dias, se você já é cadastrado em nosso site, caso você ainda não seja inscrito, o texto estará sempre disponível diariamente aqui na página.

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Quando nos dirigimos às famílias de nossos catequizandos, uma frase muito comum em nossas realidades e a seguinte: “Pais, vocês são os primeiros catequistas de seus filhos”. No entanto, antes de fazer esta afirmativa, deveríamos perguntar à Igreja e a nós, que somos enviados para evangelizar e catequizar: Que instrumentos estamos fornecendo aos pais para cumprirem sua missão? Diante desta realidade é preciso contribuir com a família, desenvolvendo uma ação catequizadora que ajude a tornar os lares de nossos catequizandos um terreno fértil no qual se enraíze a experiência de fé, de Deus e de uma vida mais humana e feliz.

Assim, estes lares podem vir a tornar-se verdadeiras igreja domésticas. No entanto, embora se conheça esta necessidade, há fatores que dificultam o encontro da família, como a luta pela sobrevivência, a busca por melhores condições de vida e o desejo de consumir tudo o que a mídia propaga de maneira altamente sedutora. Um número significativo de pais não acompanham atentamente o que se passa com seus filhos, não conhecem nem sabem o que fazem os amigos deles. Os filhos vivem isolados e, muitas vezes, o único recurso para estabelecer uma conversa com alguém é pela internet (facebook, WhatsApp, blog...).

Esse modo de viver

favorece a formação

de indivíduos

egoístas e solitários.

Há também situações estarrecedoras: famílias desestruturadas pela infidelidade conjugal, pelos vícios, pelo empobrecimento, pelas injustiças e desigualdades sociais; crianças e adolescentes desestabilizados emocional e fisicamente por abusos e sofrimentos, arrastados para a prostituição; pais, impotentes diante do poder do narcotráfico, vendo seus filhos se envolverem com traficantes; mães solteiras, grande maioria delas ainda na adolescência, obrigadas a fazer o papel de pai e mãe para dar proteção e sustento aos filhos.

Diante destas realidades, somos enviados pelo Senhor da messe para levar a Boa-Nova a essas famílias, que para Ele, são também bem-aventuradas, merecedoras de amor, misericórdia e compaixão. Tudo isso nos faz refletir que é preciso buscar modos de ir ao encontro das famílias que não correspondem aos nossos ideais, valorizando o que elas tiverem de positivo e ajudando as pessoas a viver da melhor maneira que lhes for possível. Como tal, a família hoje exige uma catequese acolhedora, criativa e encarnada, que dê esperança, que mostre como viver o amor dentro das condições objetivas de cada pessoa (DNC, 296).

Como fazer da Família o berço da Iniciação à vida cristã

Neste mundo pós-moderno que relativiza tudo, inclusive os valores morais e as verdades fundamentais, diante das muitas dúvidas e uma grande confusão de ideias provocadas pelos meios de comunicação, aos adultos precisamos oferecer espaços onde possam partilhar suas inquietações e descobrir, à luz da Palavra de Deus, aquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”: Jesus Cristo, revelação plena do Pai. Conscientes que os melhores esforços para a catequese atual devem ir na direção dos adultos, convido padres, diáconos, religiosas, catequistas e coordenadores de pastorais e movimentos para fazer todos os esforços possíveis em vista de um dedicado e atraente acompanhamento na fé dos nossos adultos.

A partir deste ano, para contribuir no processo de evangelização e iniciação cristã no qual a família seja a principal mediadora, peço que as paroquias implementem a Catequese Familiar visando um acompanhamento sistemático na formação da fé cristã dos pais, enquanto os catequizandos continuam sua caminhada de iniciação à vida cristã. Desta forma atendemos ao apelo do Papa Francisco na sua Exortação Apostólica Amoris Laetitia: “Tenha-se o cuidado de valorizar os casais, as mães e os pais, como sujeitos ativos da catequese.

De grande ajuda é a catequese familiar, enquanto método eficaz para formar os pais jovens e torná-los conscientes da sua missão como evangelizadores da sua própria família” (AL 287). Para os pais ofereceremos dois itinerários: • o itinerário para que os pais que já receberam Batismo, Crisma, Eucaristia e Matrimonio acompanhem seus filhos na inicia- ção a Vida cristã. • o itinerário voltado para os pais que querem receber os sacramentos da iniciação (Batismo, Crisma e Eucaristia) e o Matrimônio. Os itinerários dos pais e dos filhos acontecerão paralelamente e terão momentos de encontro entre os dois grupos, especialmente para celebrar a fé e a vida.

Dom Carlos Verzeletti

Bispo da Diocese de Castanhal


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