2018, ANO DO LAICATO NA DIOCESE


Leigos e Leigas pela vivência do Batismo, cristãos testemunhas, sal da terra e luz do mundo

A Diocese de Castanhal em comunhão com toda a Igreja Católica do Brasil vive o ano de 2018 como o Ano do Laicato. Uma oportunidade para descobrir ou retomar o papel do laicato na Igreja “em saída” e refletir sobre o protagonismo dos leigos no mundo secular e nas culturas, dentro do modelo de igreja pedido pelo Concílio Vaticano II.

É verdade que devemos ajudar os leigos a serem “o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13-14), mas enquanto fazemos isso, peço que trabalhemos para que eles sejam também o sal da paróquia e luz da Igreja. Para tanto precisamos superar e vencer o clericalismo que ainda trava a ação pastoral da Igreja. O papa Francisco na sua Carta ao cardeal Marc Ouellet, de março de 2016, lembra “a famosa frase ‘Chegou a hora dos leigos!’... mas – diz ele - parece que o relógio parou!”. O que esperamos deste Ano do Laicato é que o relógio seja colocado de novo em movimento.

Para que o laicato seja sujeito da evangelização, como pede o Concílio Vaticano II, é necessário superar a visão de Igreja do Concílio de Trento que colocava o clero como principal agente da evangelização. Para que o protagonismo dos leigos possa avançar, a Igreja deve superar o clericalismo – “uma das maiores deformações que a América Latina deve enfrentar” – como lembra o Papa na sua Carta ao cardeal Ouellet.

Se na compreensão geral do povo a palavra ‘leigo’ indica quem não sabe e não conhece, para nós Igreja, fiéis leigos são “os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo” (LG 31; cf. DAp 209). Portanto, para que o Santo Povo fiel de Deus, leigos e leigas, viva as dimensões messiânicas inerentes ao sacramento do batismo, trabalharemos ao longo do ano do Laicato para recuperar a consciência de que, pelo batismo, todos são sacerdotes e sacerdotisas, profetas e profetisas, reis e rainhas, ajudando-os a exercer estas funções “na Igreja e no mundo”.

Os leigos e leigas exercem seu sacerdócio batismal formando, antes de tudo, a assembleia celebrativa. Esta congregação dos batizados e batizadas torna-se sacramento da presença de Deus. Como disse Jesus: “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20). É a assembleia celebrativa, congregada em nome da Trindade Santa, que pode dizer com toda força e convicção “O Senhor está no meio de nós! ”. Nesta assembleia todos e todas são co-celebrantes. Pelo batismo são “consagrados para ser edifício espiritual e sacerdócio santo” (LG 10).

Leigos e leigas exercem sua profecia batismal no serviço da Palavra de Deus. No seguimento missionário de Jesus, têm a Palavra de Deus como fonte de sua espiritualidade. Esta Palavra é a alma da ação evangelizadora. Conhecer a Palavra é anunciar a Palavra. Desconhecer a Palavra é desconhecer o próprio Cristo. Leigos e leigas através da Escola da Palavra aprendem a interpretar adequadamente os textos bíblicos e a partilhar o Pão da Palavra na liturgia, na catequese e nas várias frentes pastorais. Todo cristão batizado se torna, então, agente da pastoral bíblica tendo em vista a animação bíblica de toda a pastoral (cf. DAp 248).

Com o batismo os leigos se tornam reis e rainhas, chamados a viver a caridade a partir das três dimensões messiânicas do batismo. A dimensão batismal régia torna todos co-responsáveis pela condução do povo de Deus, pela manutenção do patrimônio da Igreja e pela organização eclesial. Exercem esta função régia ocupando cargos na administração ou na coordenação das comunidades, paróquias ou diocese.

É inegável que houve substanciais avanços no protagonismo dos leigos dentro da vida eclesial. A formação teológica dos nossos leigos melhorou muito, surgiram os ministérios, novas formas de organização e as responsabilidades pastorais. Porém fico triste quando percebo que às vezes surgem tentativas para esvaziar e anular a participação dos leigos, calando-os e diminuindo seus espaços de comunhão e participação. Como lembra o Papa Francisco em sua citada carta: “O clericalismo... limita as diversas iniciativas e esforços e, ousaria dizer, as audácias necessárias para poder anunciar a Boa Nova do Evangelho em todos os âmbitos da atividade social e, sobretudo, política. O clericalismo, longe de dar impulso aos diversos contributos e propostas, apaga pouco a pouco o fogo profético do qual a Igreja está chamada a dar testemunho no coração de seus povos”.

Termino lembrando o que o Papa Francisco falou no Encontro com o Comitê Diretivo do Celam em Bogotá no 7 de setembro de 2017:“A esperança na América Latina passa através do coração, da mente e dos braços dos leigos”. Para tanto precisamos de “um laicato cristão, que esteja disposto a contribuir, como crente, no processo de um desenvolvimento humano autêntico, na consolidação da democracia política e social, na superação estrutural da pobreza endêmica, na construção de uma prosperidade inclusiva fundada em reformas duradouras e capazes de tutelar o bem social, na superação das desigualdades e na salvaguarda da estabilidade, no delineamento de modelos de desenvolvimento econômico sustentável que respeitem a natureza e o verdadeiro futuro do homem – que não passa por um consumismo ilimitado – e também na rejeição da violência e na defesa da paz”.


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