UM POUCO MAIS DA EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA DOS SEMINARISTAS


Qualquer pessoa ao ouvir uma história, cria em sua mente imagens nítidas das narrações que penetram a alma e dão asas à capacidade criativa comum a todo homem. São cenários e personagens, cores e formas, sons e poesias, que fazem vislumbrar, a partir de um testemunho, uma possibilidade entre milhares possíveis. Ouvindo as histórias dos irmãos visitados nas semanas de missão, poderíamos fazer algumas dezenas de longas metragem com roteiros interessantíssimos. Poderíamos entender, a partir disso, o que vem ser a arte.

Um ícone representa um objeto através da semelhança: ele (o ícone) não é o objeto, mas o representa por semelhança. O ícone traz em si a semelhança com o objeto representado; não é a realidade representada, mas se aproxima porque traz em si traços do essencial, do fundamental, da identidade. Por isso temos as imagens e ícones sagrados em nossas Igrejas: eles não são os santos, nem são a Virgem, muito menos o Cristo, mas sua semelhança resguarda o essencial de quem representa. De Cristo: as chagas, a cruz, as vestes e o halo, são sinais icônicos, pois devemos saber que Ele não era exatamente daquele jeito, mas aquele ícone resguarda o essencial de Cristo.

Há poucos dias assisti a um filme: Mãe! Fiquei profundamente intrigado, sobretudo diante do que experimentei na missão... Quero dizer: o que é uma mãe? A semelhança de quê elas existem? O filme citado é um ícone mal feito da existência e do mundo. Aqui vem espontaneamente o excelentíssimo ícone de Mãe: Maria. Ela sim, é o protótipo de mãe. E quantos ícones de Maria descobrimos nos altares de Salinas.

Foram tantos corações maternos que descobrimos: feridos pela morte de seus filhos (e quantas encontrei...), pelo maltrato dos filhos e esposo, pela árdua tarefa de ter que educar muitos filhos, por suportar com força e coragem as humilhações para viver com mais dignidade. Por outro, vi corações exultantes de alegria pela criança que se gesta no ventre, pelo amor que dedica aos que lhes são mais próximos, por ter saúde e vitalidade para fazer crescer a vida, por saber-se capaz de entregar-se por amor. E, para elas, não há nenhum problema nisso.

É um amor que foge da nossa lógica. Não há norma, nem medida, não se pode conter aqui ou ali. Não é racional... O amor de uma mãe não tem um modelo com o qual comparar (exceto ao de Deus). Acredito que nós, os homens,nunca vamos entender, como pulsa o coração de uma mãe. Só uma mãe sabe o que sofre a outra. Só a Mãe sabe o que sofrem as mães, e vice-versa.

Pobre de mim... só podia rezar. Ai de mim... só podia contemplar o radiante brilho de tais corações. Era eu, ali, em cada visita, um filho visitando a Mãe no coração de cada mãe. Ora, onde está o Filho, a Mãe está ao lado, de pé, na cruz ou na ressurreição. Onde encontrei um filho, encontrei a Mãe. Contudo é um mistério o seu coração, Mãe! Dá-me a graça de apenas contemplá-lo e nele reconhecer o mais perfeito canal do amor de Deus, o mais completo ícone da realidade divina. Em cada mãe, naquelas que se dignam assumir essa vocação, vejo um ícone da Mãe, da nossa Mãe, da minha Mãe, e em Mamãe vejo o ícone de Deus, pois Ela quis em tudo fazer-se Nele, que Ele se fez ícone de nós Nela. Benção Mãe!

Por Luciano Bezerra Revisão: Telma Lemos | Jorge Corrêa. 


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