Para a Leitura Espiritual - Papa Francisco


Evangelho deste Domingo: Mc 9,2-10

No domingo passado a liturgia apresentou-nos Jesus tentado por Satanás no deserto, mas vitorioso sobre a tentação. À luz deste Evangelho, voltamos a ter consciência da nossa condição de pecadores, e também da vitória sobre o mal, oferecida a quantos empreendem o caminho de conversão e, como Jesus, desejam cumprir a vontade do Pai. Neste segundo domingo de Quaresma, a Igreja indica-nos a meta de tal itinerário de conversão, ou seja, a participação na glória de Cristo, que resplandece no seu rosto de Servo obediente, morto e ressuscitado por nós.

A página evangélica narra o acontecimento da Transfiguração, que se insere no ápice do ministério público de Jesus. Ele encontra-se a caminho de Jerusalém, onde se cumprirão as profecias do «Servo de Deus» e onde se consumirá o seu sacrifício redentor. Mas as multidões não entendiam isto: perante a perspectiva de um Messias que se opõe às suas expectativas terrenas, abandonam-no. Contudo, pensam que o Messias seria um libertador do domínio dos romanos, um libertador da pátria, e, portanto, esta perspectiva de Jesus não lhes agrada e deixam-no. Nem sequer os Apóstolos compreendem as palavras com as quais Jesus anuncia o êxito da sua missão na paixão gloriosa, não entendem! Então, Jesus toma a decisão de mostrar a Pedro, Tiago e João uma antecipação da sua glória, aquela que Ele terá depois da ressurreição, para os confirmar na fé e para os encorajar a segui-lo pelo caminho da prova, pela vereda da Cruz. E assim, sobre um alto monte, imerso na oração, transfigura-se diante deles: o seu rosto e toda a sua pessoa irradiam uma luz resplandecente. Os três discípulos sentem-se amedrontados, enquanto uma nuvem os encobre e do alto ressoa — como no Batismo no Jordão — a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado. Ouvi-o!» (Mc 9, 7). Jesus é o Filho que se fez Servo, enviado ao mundo para realizar através da Cruz o desígnio da salvação, para salvar todos nós. A sua plena adesão à vontade do Pai torna a sua humanidade transparente à glória de Deus, que é Amor.

É assim que Jesus se revela como o Ícone perfeito do Pai, a irradiação da sua glória. É o cumprimento da revelação; por isso, ao lado da sua figura transfigurada aparecem Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas, como que para significar que tudo termina e começa em Jesus, na sua paixão e na sua glória.

Para os discípulos e para nós, a exortação é a seguinte: «Ouvi-o!». Escutai Jesus. Ele é o Salvador: segui-o! Com efeito, ouvir Cristo exige que assumamos da lógica do seu mistério pascal, que nos ponhamos a caminho com Ele para fazer da nossa existência uma dádiva de amor ao próximo, em dócil obediência à vontade de Deus, com uma atitude de desapego das realidades mundanas e de liberdade interior. Em síntese, devemos estar prontos a «perder a nossa vida» (cf. Mc 8, 35), oferecendo-a a fim de que todos os homens sejam salvos: é assim que nos encontraremos na felicidade eterna. O caminho de Jesus sempre nos leva rumo à felicidade, não vos esqueçais disto! O caminho de Jesus sempre nos leva rumo à felicidade! No percurso haverá sempre uma cruz, provações, mas no final sempre nos leva para a felicidade. Jesus não nos engana, pois prometeu-nos a felicidade e nos concederá se caminharmos pelas suas sendas.

Com Pedro, Tiago e João, hoje subamos também nós a montanha da Transfiguração e detenhamo-nos em contemplação da face de Jesus, para receber a sua mensagem e para a traduzir na nossa vida, a fim de que também nós possamos ser transfigurados no Amor. Na realidade, o amor consegue transfigurar tudo. O amor transfigura tudo! Credes nisto? Que nos sustenha neste caminho a Virgem Maria, a qual agora invocaremos com a oração do Angelus.

(Angelus - domingo, 1º de março de 2015)


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