O BISPO NOS CAMINHOS DAS ÁGUAS


Nos sentimos ainda mais Igreja com o Bispo entre nós”. Assim fala a mensagem no banner que ilustra a III Visita Pastoral do Bispo de Castanhal, Dom Carlos Verzeletti, à Paróquia de Nossa Senhora das Vitórias, em Marapanim, Pará. 

Na semana, precisamente sexta-feira, 02 de março, fazendo parte da programação, Dom Carlos Verzeletti, acompanhado pelo Pároco Pe. Orlando Lopes e os Diáconos Silvio e Nestor, na comitiva a equipe de comunicadores da Pascom e TV Mãe de Deus, partimos, saindo da comunidade de Vista Alegre para a Ilha de Tamaruteua, num barco porte médio, comandado por Zezinho, pescador e conhecedor daqueles caminhos de rios-mar, especialmente em tempos de águas grandes, em movimentos de maré que somados a chuva não nos deixam esquecer do inverno amazônico. Num percurso aproximado de 15km, navegamos pelo rio Camará que deságua no Atlântico Sul. No caminho das águas, a natureza encanta quem passa, no verde musgo dos manguezais, misturado do cinza das árvores caídas, vítimas das correntes do rio que as tombam, fazendo lembrar a passagem bíblica de que é preciso morrer para uma nova vida brotar, assim os novos mangues surgem e um verde vivo vai renascendo. 

Cacuris, um tipo de curral que povoa o rio, é sinal de que, à frente, encontraremos irmãos que subsistem dessa dádiva, o peixe. As cores vinslumbram os olhares dos missionários visitantes; cá e acolá os guarás , o assovio dos maçaricos, o pairar das gaivotas sobre as águas e o alvo e elegante sobrevoo das garças de plumas brancas, com pernas e bicos longos; um alcance divino que quer nos adentrar, que é preciso alcançar outras margens. Assim, chegamos até Tamaruteua, lugar que tem o nome de Tamaru, um crustáceo que se esconde nos cascalhos dos rios de água salobra. Logo na chegada, o Bispo vê meninos que mergulham naquelas águas escuras. Segundo relatos, a Ilha é, também, um lugar de passagem, entreposto de pescadores que trafegam naquela região e aproximadamente 50 famílias residem lá. O Bispo encontra e cumprimenta poucos pescadores, descansando, sentados, talvez, por ter passado a noite no mar. Ele caminha e se direciona até o lugar onde está a pequena capela dedicada a São Pedro; pouca gente em volta mas logo recebe a visita ilustre do Victor( 3 anos) e a Vitória(6 anos) e, com aquele jeitinho de aproximação, começa o diálogo. Por uns instantes a espera, chegam mulheres e, assim, formamos um grupo completo com leigos e leigas, onde presenciamos à catequese que o Bispo fez, falando de Deus e do seu Filho Jesus. Afinal, nas mentes desses inocentes nunca se perderá a memória dessa imagem, pois a Ação de Deus sobreleva a dimensão do homem. Dom Carlos finalizou convidando a rezar. Na despedida, visitou uma família. Ainda no porto, ele falou à TV Mãe de Deus: “... é uma realidade desafiadora que exige maior presença por parte da nossa Igreja. É a vida do pescador que não segue os ritmos normais das cidades mas o da maré . O cansaço, o dia todo debaixo do sol, leva o homem, , às vezes, a ficar sem sentido, sem gosto para as coisas de Deus... .Percebemos aqui a grande urgência de um trabalho de evangelização que seja perseverante ... . É preciso presença ... irmãos que possam ajudar a fazer uma pequena experiência de Deus e, é claro, que levem estes irmãos a viverem a religiosidade; eles tem religiosidade, eles falam de Deus, mas um Deus um pouco distante. Viemos para esta visita, levamos estes anseios ... em nosso coração e espero que na Paróquia possamos encontrar pessoas que possam garantir um trabalho de evangelização, aqui, no meio destes nossos irmãos”. 

No prosseguimento do dia, retorno a Vista Alegre , Dom Carlos, ali, se encontra com os irmãos que, apesar da hora tardia estavam esperando na Igreja. A presença e o ânimo dos jovens na caminhada e na vida da Igreja naquela comunidade e o trabalho de evangelização, deixou o Bispo muito feliz e, confiando, disse esperar que continuem o trabalho, alcançando mais famílias que não conhecem o Evangelho. Nas suas palavras disse que a “Visita Pastoral é o momento para encontrar os irmãos de cada comunidade, poder escutar as suas experiências, ver as dificuldades que encontram, animá-los , um momento intenso e de graças para eles e para mim. Andando em muitas comunidades fico contente de ver pessoas comprometidas com o Evangelho, que visitam os doentes, portanto, uma Igreja Viva que está produzindo muitos frutos”. Vânia Sagresti/Pascom Diocesana 


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