CEGUEIRA, LUZ E REDENÇÃO: UMA NOITE DE ADORAÇÃO NA CATEDRAL


Pela primeira vez, jovens que de repente passaram a não enxergar seguiram por um caminho sabendo o destino. No escuro da Praça dos Doze Apóstolos, entre as colunas, luzes de vela e de celulares, tateando como Paulo depois de cair cego, os jovens lado a lado ou em fila, foram caminhando devagar. Começava a adoração do Setor Juventude Paróquia Catedral.

Em torno da Catedral, eles seguiram ouvindo vozes claras naquele escuro: “confia”, “venha por aqui”, “estou contigo”. Da Praça dos Doze até a frente da Catedral, algumas dezenas de metros, mas uma eternidade. Quanto medo e desconfiança, quanta ansiedade por, mesmo conhecendo a área da Catedral, não saber exatamente onde se estava.

Os jovens experimentaram conscientemente aquilo que tantas vezes experimentamos sem saber ao certo: desconfiança e incerteza, ansiedade que questiona “por onde estou indo realmente?”.

Em frente à porta estreita, sentados no chão, tirando as vendas para vez uma encenação que contava a criação, queda e redenção da humanidade, encenada por jovens. Beleza da criação, fuga para o pecado, cegueira e alucinação. Os olhos que haviam se abrido há pouco focados. O Jesus que se veste de pecado para salvar, que cai na morte mas ressuscita pela força do amor, emocionou muitos jovens.

Aquela porta estreita aberta, aquela rampa que puxa para baixo, para o altar, foram experimentados naquela noite de uma forma tão diferente! A pressa de estar perto do santíssimo sacramento, do Corpo de Cristo, sacramento que ele nos deixou como sinal de redenção e salvação.

De joelhos com os jovens, um jovem vestido de branco: padre Rarimadson conduziu a reflexão durante a adoração dentro da Catedral. Palavras e silêncios. Canções e sinos. Adoração.

De joelho, em pé, sentados, os jovens foram sentido uma leveza, um colo que lhes acolhia. Todos nós pecadores diante de um amor infinito. Mistério e graça.

Os jovens finalmente enxergavam. Eles viram coisas que vão além daquilo que o olho pode encontrar. Viram com o coração, e só o coração sabe das memórias, dos pedidos, das promessas que passaram por cada um naquela noite. Uma noite de adoração que deixou apenas uma última dúvida ao encerrar: quando será a próxima vez para estarmos aqui?


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