ENTENDA O QUE É E QUAL A IMPORTÂNCIA DO SÍNODO PARA A AMAZÔNIA


Dom Carlos Verzeletti, bispo da Diocese de Castanhal, juntamente com outros 113 bispos, participa em Roma da Assembleia Especial do Sínodo para a Região Pan-Amazônica. A assembleia teve início nesta manhã de domingo, com Missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro e terá como tema: “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”. Entenda o que é e qual a importância deste Sínodo para a Amazônia: Por que o Papa decidiu convocar este Sínodo?

O tema da assembleia sinodal expressa com muita propriedade a razão da mesma: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Não é de hoje a atenção do Papa Francisco para com a Amazônia. Já em 2013, ano de sua eleição, quando se encontrou com os bispos brasileiros no Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, disse que “a evangelização na Amazônia é um banco de ensaio para a Igreja e para a sociedade”. Em sua Encíclica sobre o Cuidado da Casa Comum, Laudato Si’, expressou a preocupação por este território de singular importância para o clima do planeta. Em 2016, os bispos da Amazônia Brasileira enviaram uma carta à Francisco pedindo uma iniciativa por parte da Santa Sé a respeito da Amazônia. No ano seguinte, o Papa convocou o Sínodo Extraordinário para a Região Pan-Amazônica para os dias 06 a 27 de outubro deste ano. Em sua fala de convocação, disse: “Acolhendo o desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina, assim como ouvindo a voz de muitos pastores e fiéis de várias partes do mundo, decidi convocar uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica. [...] O objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.

Como foi o processo de preparação desta Assembleia Sinodal?

O Sínodo foi convocado em 2017 e no ano seguinte foi lançado um texto de nome: Documento Preparatório. Este texto se tratava de um subsídio para as primeiras reflexões a respeito do tema do Sínodo e trazia um questionário com perguntas que guiariam as “escutas” que deveriam ser realizadas em todo o território amazônico. Em nossa Diocese a escuta foi realizada com os padres, diáconos, catequistas, ministros da Palavra e pastorais sociais. Essas escutas, realizadas de forma abundante e abrangente, foram compiladas e combinadas em um segundo subsídio, chamado Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho), que é o texto que serve de base para os bispos (padres sinodais) nas discussões durante a assembleia.

Cada Conferência Episcopal da região Pan-Amazônica, reuniu seus bispos e assessores leigos e religiosos nas chamadas reuniões Pré-Sinodais, no Brasil realizada ao final de agosto em Icoarací-Belém-PA. A reunião pré-sinodal dos bispos da Amazônia Brasileira, teve como objetivo estudar melhor o Instrumento de Trabalho e apresentar aos padres sinodais a dinâmica da assembleia para melhor prepara-los.

O que diz de especial ou de particularmente interessante o Instrumentum Laboris, texto que servirá de base para a discussão dos padres sinodais?

Todo o Instrumento de Trabalho é interessante devido a forma como foi elaborado, a partir de um amplo processo de escuta da Igreja e dos povos amazônicos. Foram mais de 100 mil pessoas ouvidas e centenas de relatórios enviados para a Secretaria do Sínodo. Daí a necessidade de se respeitar e considerar o texto, pois se trata da voz da Amazônia que se levanta iluminada pela fé em Cristo vivo! O texto é dividido em três partes e convida: 1) a assumir novos paradigmas e referenciais, levando em conta as culturas amazônicas; 2) a reconhecer a ligação entre evangelização e ecologia, na indicação de uma conversão integral, 3) e a partir disso, repensar a missão da Igreja profética e samaritana neste território.

Por que se tem falado tanto dos indígenas nos textos preparatórios do Sínodo?

Os povos indígenas são os primeiros habitantes deste território, sabem conviver e se relacionar com ele de forma respeitosa e tem muito a nos ensinar sobre a ecologia integral. Além disso, são aqueles que durante os séculos mais sofreram com a colonização. Daí a preocupação especial que o Papa Francisco e o Sínodo têm por eles. Uma das perguntas que o questionário presente no Documento Preparatório trazia era: o que os indígenas esperam da Igreja? Nas escutas ficou evidente que estes povos originários esperam verdadeira acolhida e verdadeira abertura à sua forma de entender a realidade e a vida, assim como a Igreja teve com diversas culturas antes de nós. Os indígenas não objetivam impor sua cultura, mas também não desejam que a eles seja imposta uma de fora. A grande expectativa é o que chamamos de interculturalidade, a relação de encontro entre culturas: aquelas dos povos originários e aquela dos cristãos católicos. A interculturalidade não fere a identidade, mas encontra caminhos, corrige posturas e promove diálogo entre ambas as partes. Trata-se, como afirma o Instrumento de Trabalho, de uma evangelização descolonizada.

Qual a real importância desta Assembleia Sinodal para a nossa Diocese?

Aquilo que os bispos decidirem no Sínodo, será reunido em um texto final aprovado por todos, inclusive pelo Papa e as Conferências Vaticanas, e se tornará Magistério Oficial da Igreja, um Documento que pretende orientar os próximos passos, objetivos e métodos para a ação evangelizadora da Igreja nesta região. Nossa Diocese de Castanhal é uma dentre as mais de 80 que fazem parte da região amazônica. Lidamos, portanto, com os dois espaços de desafios deste território: o campo e a cidade. Viveremos no final do próximo mês de novembro a IV Assembleia Diocesana de Pastoral, órgão que se reúne a cada quatro anos para planejar a nossa ação como Igreja no quadriênio. Os resultados do Sínodo virão ao encontro de nossa proposta de ser Igreja-Casa em pequenas comunidades, como os caminhos da IV Assembleia indicam, fazendo perceber qual o chão sobre o qual esta Igreja-Casa está construída.

Concluindo

O Sínodo Especial para a Região Pan-Amazônica é algo da Igreja e não de um grupo ou apenas de parte dela. Toda a Igreja é responsável por conscientizar sobre a importância desta assembleia e também de rezar por ela, pois aquilo que será discutido não é de usufruto exclusivo das comunidades da floresta, mas de todas as comunidades católicas desta região. Rezemos, portanto, para que nossos padres sinodais deixem-se guiar pelo Espírito Santo que está em constante movimento e, assim, possam contribuir para a revelação do Reino de Deus presente nestas terras através de uma Igreja com rosto amazônico e missionário.


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