Romaria de Castanhal: Salve ò Mãe de Deus, Virgem de Nazaré!


Uma súplica foi tema da XXI Romaria de Castanhal: “ Nossa Senhora de Nazaré, ajuda a sermos uma Igreja que se aproxima, escuta, ilumina as Famílias, os Jovens e as Periferias”. Um povo acalorado, que com ternura, amor e fé pela Virgem de Nazaré, no terceiro domingo de outubro, avançou para o distrito do Apeú, ao encontro da Mãe e, como Jesus, quis ser carregado no colo por ela.

Os festejos celebrativos, que antecederam a Romaria 2019, iniciaram em setembro, quando a imagem peregrina saiu da Catedral Santa Maria Mãe de Deus e foi até as famílias: da cidade ao campo, nas Pequenas Comunidades e periferias, com o enfoque da condução na Carta Pastoral de Dom Carlos. Este ano, o livro das peregrinações trouxe nas catequeses o significado de sermos uma Igreja: a que se aproxima do olhar, da vida, do sofrer e das alegrias; a que escuta, os gemidos e clamores de seus filhos; a que ilumina, pela Palavra e pela caridade; a Igreja da alegria da Fraternidade, da Eucaristia; o anúncio profético do Projeto de Deus em Jesus Cristo. Um conjunto de reflexões que, neste domingo, 20 de outubro, fizeram aquecer o coração da multidão que, sob forte sol equatorial, caminhou da cidade de Castanhal até o distrito do Apeú.

Às vésperas, no sábado, como parte dos preparativos, uma carreata, com a berlinda e nela a imagem peregrina, visitou os quatro cantos da cidade de Castanhal. Um convite que todos receberam e, por ande ia passando a Santa, um clima de ternura e comoção se espalhou nos ares. Eram ruas enfeitadas, altares nas famílias, fogos e, no pôr-do-sol, o cortejo ia em direção ao Apeú, o ponto das origens desta devoção, lugar onde os sinais de amor à Virgem suscitaram esse caminho de fé. A Mãe de Deus sinaliza e os filhos acolhem o que ela quer dizer: “ Façam o que Ele vos disser”, Jo.2,5.

Na chegada ao Apeú, milhares de fiéis, já aglomerados, aguardavam pela Santa Missa, este ano com a alegre presença de Dom Darci José Nicioli, Arcebispo de Diamantina, Minas Gerais que, dirigindo-se ao povo, disse do prazer do convite feito a ele por Dom Carlos. “Nesta Romaria, peçamos, logo, que ela nos ajude a ser Igreja, que acolhe, escuta, ilumina as Famílias, os Jovens e aqueles que são colocados à margem, nas Periferias. Esta é a nossa oração. Não poderíamos recorrer a outra pessoa senão a ela, pois, Maria é a figura, a imagem da Igreja, que é dirigida pelo Espírito Santo e, logo, é comunidade de Salvação”.

Era noite quando, na tradicional chegada da transladação da imagem de Maria de Nazaré à praça da matriz de São José, sob os embalos de cantos marianos com a banda 28 de janeiro, a Santa recebeu um novo manto que, há anos, é confeccionado pela estilista Célia Leal e, nos detalhes do design, traz o mosaico da Catedral e os adornos nas bainhas como de folhas verdes, simbolizando o Sínodo para a Amazônia.

No domingo, bem cedo, a praça de São José já repleta de fieis, a Romaria partia com a berlinda, réplica da Maria Fumaça, o trem da rota Belém-Bragança, decorada pela equipe de Sidney Raineri, com frutos das palmeiras do açaí e da bacaba, do cachos vermelhos de urucum e das folhas de murta da Amazônia brasileira, dando início ao percurso de aproximadamente 8,5 km, com parada na casa-Mãe, a Catedral Santa Maria Mãe de Deus onde, com o altar posto no alto da estilosa escadaria, a Missa da Romaria era celebrada.

A história, que se repete há 21 anos, reaviva a fé do povo que, agora, vem dos 25 municípios, das 36 paróquias, prestigiar a sua padroeira maior da Diocese de Castanhal.

Dom Darci Nicioli, impressionou-se, e com emoção conduziu uma reflexão, dizendo que Deus se manifestava pela Senhora de Nazaré. Na sua oração continuou o Bispo: “ Povo de Castanhal, é tempo de conversão; não deixem perder a hora da graça, e o dia da salvação”.

Nos momentos finais da Missa, uma atenção foi dispensada para a mensagem de Dom Carlos, que nos falou: “ ... Romeiros e devotos de Nossa Senhora, neste dia de grande festa em honra à Mãe de Deus, padroeira da nossa Diocese de Castanhal, aqui de Roma, com os bispos, participando do Sínodo para a Pan-Amazônia, junto com o Papa Francisco, mesmo fisicamente distante, estou espiritualmente presente, caminhando convosco nesta 21ª Romaria. Rezo por todos vocês e suas famílias, principalmente por aqueles que mais sofrem no corpo e no espírito... pela nossa cidade de Castanhal e por toda a nossa Diocese , parte da nossa amada Amazônia... Neste dia mundial das missões, cujo tema: “ batizados e enviados” leva-nos a tomar consciência da graça do nosso Batismo, dai-nos um coração missionário e arranca-nos da comodidade. Faz-nos sair da nossa zona de conforto para sermos uma Igreja amiga, próxima e samaritana, que acompanha e fica ao lado de quem sofre e chora, que escuta e se compadece. Ilumina com a luz do Evangelho, reanima com a força do amor e encoraja com o testemunho da alegria, as Famílias, os Jovens e as Periferias. Acompanha a nós, bispos, aqui no Sínodo, para que com a Luz do Espírito Santo possamos discernir os novos caminhos que, como Igreja devemos empreender, e os compromissos que precisamos assumir para salvar a Amazônia , implementando uma ecologia integral. Leve cada um a celebrar o sacramento da confissão, com o propósito de uma verdadeira conversão pessoal; suscita em nossa Diocese uma profunda conversão pastoral e sinodal; promove em todos os níveis: pessoal, familiar, social, político e público, uma urgente conversão ecológica. Recebam a saudação e a benção do Papa Francisco e a minha, também. Pela intercessão da Mãe de Deus, desça a benção do Pai ,Filho e Espirito Santo. Amém.”

Pela estrada mais homenagens, gratidão. Sinais visíveis dos pilares que a Igreja do Brasil, missionária, quer viver. Pilar da Palavra: no caminho a experiência da Fé; Pão: trilhar um caminho pascal, buscando a salvação; Caridade: recordar o servo sofredor naquele que sofre; Missão: ir adiante com o anúncio profético do Deus libertador.

Agraciado pelas bênçãos recebidas e graças alcançadas, de muitos jeitos , de formas particulares, ia o povo em marcha como onda, acompanhando a mãezinha do coração. Quão belo ver a emoção, as lágrimas, o suor nas faces! o que importava era chegar até a Igreja de Nazaré, no Apeú . Texto de Vânia Sagresti /Pascom Diocese de Castanhal, e foto de


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