DIOCESE PEDE QUE SEJA REVOGADA A ABERTURA DO COMÉRCIO EM CASTANHAL


Foto de Cézar Magalhães

A Diocese envia Carta ao Poder Público Municipal de Castanhal pedindo a revogação da abertura do comércio de serviços não essenciais no município e que sejam revistas as medidas já tomadas para o funcionamento das feiras. "Entendemos que é melhor superar esta crise com menos recursos do que com menos vidas", afirma a carta, assinada por Dom Carlos Verzeletti e Comissão Justiça e Paz Diocesana, destinada ao prefeito e aos vereadores. Confira na íntegra:


Senhor Prefeito

Senhores/as Vereadores/as,

Estamos sendo surpreendidos por uma tempestade inesperada. Vivemos em uma mistura de angústia e esperança, frente à ampla crise da pandemia do coronavírus. Porém, é justamente nesta tempestade que “somos convidados a despertar a solidariedade e o discernimento” (Papa Francisco).


Neste Domingo, dia 26, Castanhal chegou a 60 casos e a três óbitos confirmados em decorrência do covid-19. Mas basta ouvir o testemunho dos que trabalham nos postos dos bairros, unidades centrais de saúde e das dezenas de feirantes – adoecidos simultaneamente – que estão com os sintomas para perceber que a situação é bem mais grave. Há pessoas morrendo com todos os sintomas deste vírus em Castanhal sem sequer chegar a fazer o teste. A maior cidade de nossa Diocese enfrenta um desafio que vai crescendo cada vez mais diante da fantasia de uma paralela normalidade.


Participamos, como Diocese, na última quinta-feira da reunião do Comitê que planeja as ações de combate à pandemia no Município, mas diante desta realidade, cada vez mais alarmante e ouvindo as famílias que já se desesperam com o adoecimento e morte dos seus, entendemos que é melhor superar esta crise com menos recursos do que com menos vidas. O pouco que se tem, pode ser partilhado, mas a vida que se perde será cobrada daqueles que possuem a responsabilidade das decisões.


Por isso, conhecendo as limitações do sistema de saúde pública de Castanhal e a triste realidade da região metropolitana de Belém, pedimos que seja revogada a abertura do comércio de serviços não essenciais no município e revistas as medidas já tomadas para o funcionamento das feiras, de modo que não nos pese no futuro a certeza de poder ter feito mais e não o fazer.


Na certeza de que a vida sempre vencerá a morte, nos unimos em preces por vossas consciências e decisões.

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