São Sebastião: A festa de Igarapé-Açu

Para o povo de Igarapé-Açu, as festas natalinas se estendem até janeiro, quando os olhares e sentimentos de todos celebram a vida, a história e o testemunho de fé de São Sebastião.


Com o tema: Igreja - Casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da Missão, os animadores das pequenas comunidades da Paróquia São Sebastião, acompanhados por Padre Antonio Souza e Ricardo Aleixo, viveram intensa preparação para o tríduo que antecipava a Festividade 2020.


Um subsídio litúrgico foi guia desses encontros, e as comunidades entraram num clima de vivência eclesial missionária, aos moldes da vida do Santo que, segundo sua biografia, foi um jovem soldado, corajoso e defensor da fé cristã, e morreu sob hostilidades do império romano no final do séc. III.


Nessa mística de fé e religiosidade popular, a festa iniciou no dia 10 de janeiro, manhã de sexta-feira, quando centenas de fiéis, na companhia dos padres, foram até a mata fechada, na propriedade das famílias Cuí e Carrera, distante aproximadamente 10 km da cidade, e depois de uma benção especial a um pé de quaruba-cedro, esta árvore, típica da Amazônia paraense, de aproximadamente 30 metros de altura, foi derrubada. O lenho, levado para a cidade, depois de ter sido revestido com folhas de palmeiras verdes, foi carregado nos ombros dos promesseiros e devotos que, em procissão, numa tradição centenária, caminharam pelas ruas da cidade até a praça Padre Antonio Calado, em frente à matriz dedicada ao Santo. (...)Lá o denominado MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO foi erguido, após ter sido adornado com produtos agrícolas, frutos da terra , o resultado das colheitas, que os produtores rurais ofereceram, como gratidão pela safra do ano anterior.


(...) Com a benção da árvore, que este ano foi dada por Padre Ricardo Aleixo, iniciou todo um contexto litúrgico introdutório da festa. Foi o momento que levou os presentes a silenciar-se, refletindo profundamente em todo o significado do futuro mastro, que seria erguido, como ato de louvor a Deus, pelos benefícios recebidos pela intercessão de São Sebastião. O madeiro recordava, também, a cruz gloriosa de Cristo quando, erguido para o alto, a ele se voltariam os olhares, a contemplação ao Rei do Universo. Nos ombros, o madeiro foi levado, como sinal de compromisso, sinceridade e graças pela força física proporcionada pela fé. As palmeiras verdes, que revestiam o madeiro, em breves palavras , se referiam ao salmo 90,6: a vida é como erva que de manhã floresce e a tarde fica seca, lembrando que a vida é breve, passageira. Os frutos significavam uma grata retribuição à bondade do Criador.


Igarapé Açu, que carrega nas veias a história dos trilhos da via férrea Belém-Bragança, é também, histórica pela caminhada da Igreja e pela devoção ao seu padroeiro, que foi trazido por volta dos anos 1890 pelos frades capuchinhos, que ali ergueram uma capela dedicada ao Santo. Já no início do sec. XX, se destacam as memórias de frei Carlos Olearo e frei Daniel Samarate.


Durante os dias da festa , vasta programação litúrgica foi realizada, com a colaboração dos padres diocesanos e convidados, entre estes: padre Orisvaldo Carvalho e padre Ailton Amorim, da Arquidiocese de São Paulo, que permaneceram durante toda a festividade em Igarapé-Açu. Temas focados nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil ajudaram no discernimento para a vivencia do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, e um arraial cheio de atrações proporcionou um maior clima de confraternização.


No dia do Santo, 20 de janeiro, logo cedo, a procissão com a imagem de São Sebastião, saiu da comunidade dos Santos Arcanjos e, na chegada à matriz, dom Carlos Verzeletti celebrou a missa do padroeiro, que como as demais, foi transmitida pela TV Mãe de Deus de Igarapé-Açu. O bispo, na sua homilia, disse que, neste ano de 2020, a diocese tem como objetivo olhar para a Igreja como uma casa, alicerçada sobre os 4 pilares: Palavra, Pão, Caridade e Missão. Ao pensar na casa, logo pensamos na nossa casa e que não podemos viver sem ela. A casa é expressão de relações. Nascemos e somos criados numa casa, alimentados pelo amor que existe dentro do lar. A Igreja é exatamente uma casa. É maior porque a família é maior. Essa casa é nossa, mas antes de tudo é a casa de Jesus. É a casa onde os irmãos estão unidos, não pelos laços de sangue ou parentesco, mas unidos no mesmo Espírito, com o mesmo propósito de viver o mandamento do amor que Jesus nos ensinou.


Dom Carlos lembrou que, no tempo de São Sebastião, os cristãos se reuniam nas casas. Havia a proibição do imperador de se reunir. Não podiam ter as Escrituras. Se alguém fosse encontrado com as Escrituras, era preso; se alguém, também, fosse encontrado numa reunião, sobretudo no primeiro dia da semana, era preso. Não podiam construir templos para oração.


São Sebastião, este jovem cristão, que nasceu em Milão, foi exercer o seu trabalho em Roma e, entre tantos outros, se sobressaiu pelas suas virtudes. Chamado ao serviço do próprio imperador, este jovem nunca escondeu de ser cristão. Chamaram a atenção dele diversas vezes, mas ele tinha a convicção de obedecer a Deus e não aos homens. Ele morreu mártir no ano de 286, durante o império de Diocleciano.

O bispo prosseguiu falando: “ no ano 304, num povoado do norte da África, na atual Tunísia, no dia de domingo, 49 cristãos estavam presos e foram levados até Cartago, para serem interrogados pelo procônsul que perguntou o porquê deles desobedecerem a ordem do imperador de se reunir. Um deles respondeu: “ sine dominica non possumus! “, em latim, quer dizer: se não nos reunirmos, em assembleia, no domingo, no dia do Senhor, nós não podemos viver. Sem o encontro com Jesus, não dá para continuar a caminhada de fé, se perde o rumo. É questão de vida ou de morte se reunir. No dia do Senhor, a mesma coisa vale, também, para nós. Se não nos reunirmos com os irmãos no dia do Senhor e não nos alimentarmos com a Palavra e o Pão Eucarístico, nós não conseguiremos viver o mandamento do amor, a caridade e nem teremos ânimo para a missão”. Por isso, concluiu dom Carlos que nós “ no domingo entramos na casa do Senhor para nos alimentar e saímos para evangelizar ”.


Vânia Sagresti/ Pascom Diocese de Castanhal

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