Um presépio incendiado


O Natal tem seu clima próprio, seu aroma, seu sabor, suas recordações. Todo Natal traz e deixa muitas histórias, espaço para refletir muito mais que no ano novo, visto ser a data que as pessoas escolhem para cear com seus familiares, daí é impossível não recordar aqueles que estão distantes, ou não mais entre os parentes. O encontrar-se com a família e os amigos é uma celebração sagrada, para ser vivida e meditada, valorizando os laços familiares e a ligação que estes encontros proporcionam também com Deus.

A festa do Natal é inteiramente cristã, por mais que para a maioria pareça ou seja, somente uma data de feriado, para sair e beber. Ao contrário deste fluxo, a Igreja em todo o mundo prepara-se para a festa sagrada, conscientiza o seu povo e apresenta a importância da festa como Natal de Cristo Jesus, porém mesmo assim as principais celebrações do dia de Natal ainda são muitas vezes esvaziadas por faltar ainda alguma coisa quanto conscientização do dia santo.

Na nossa Catedral

Na Catedral Santa Maria Mãe de Deus, a noite do dia 24 foi com a igreja cheia, com celebração presidida pelo Bispo Dom Carlos, um belo e grande coral de adolescentes e adultos e uma noite que por si só, oferecia o seu brilho.

Outro item importante na Catedral é o presépio, detalhe que Dom Carlos em pessoa trata de pensar e executar, com sentido muito direto, pois usa sempre de uma temática que ajude a refletir e meditar o momento que vive a igreja no mundo, e no nosso caso a Igreja na Amazônia. Neste Natal quem foi à Catedral se deparou com um presépio inusitado e provocante; pois o mesmo se encontra literalmente em meio a um cenário de destruição, incendiado, arrasado, como descreveu Dom Carlos em sua mensagem de fim de ano e na homilia daquela noite, véspera de Natal.


A motivação

Contextualizar o Natal em um cenário como este não foge do contexto bíblico, pois o Cristo para nascer não escolhe a cidade que todos queriam, mas àquela que menos se esperava, Belém, na periferia das periferias, não vai nascer no meio dos ricos, vai sempre em busca dos pobres, das misérias humanas, porém Ele tem o poder e a força de transformar aquela realidade, assim como continua ainda hoje mudando a nossa situação, e nessa reflexão é louvável colocar o presépio em meio aos incêndios, à devastação, o retrato da Amazônia atual, porque é uma miséria nossa que precisa ser curada, um pecado nosso que precisa ser redimido, estamos acabando com um bem que fará falta para nós mesmos, que deixará com sede os nossos filhos e parentes, o dinheiro que se ganha hoje com os bens naturais, não se compara com o que se gastará com remédios para as doenças que o desequilíbrio nos causará.

O trabalho e a equipe

A construção do presépio tomou cinco dias, com participações de pessoas da própria comunidade Catedral, em especial alguns coroinhas e guardas como a Eduarda Oliveira, Luan, Wesley, Murilo Martins, Luciano Tiago, coordenador da comunicação da TV Mãe de Deus, os irmãos Erivan, Everardo e Erasmo, com suas respectivas esposas e filhos, Márcio Teixeira e sua equipe de marcenaria, e Dom Carlos como o diretor da ópera.

Fim da festa

O presépio permanece para ser visitado na Catedral até o dia dos Reis Magos (6 de janeiro), que é a data recomendada para a desmontagem dos presépios e das árvores de Natal dos cristãos, porém é bom lembrar que o tempo de Natal mesmo, só se encerra com o batismo do Senhor, qual será celebrado somente 12 de janeiro.

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