Encontro para crianças e adolescentes

24/04/2014

Quando o Movimento “Igreja Jovem” começou seus encontros diversificados, - jovens, adolescentes e crianças, - causou bastante curiosidade e admiração, principalmente pelo método colocado em prática, que é bem adaptado para as três faixas etárias a que se destinavam. O que despertavam a atenção era o destinado às crianças, de 9 a 11 anos, pois elas eram e são convocadas a fazer tudo, nos encontros, quase sem nenhuma assistência de maiores. Eu tinha a ideia na cabeça, talvez qualificada por alguém de “louca”, mas a partir do segundo encontro, o método foi sendo praticado com sucesso. Assim como os encontros de jovens são realizados por eles, só com a assessoria de três a quatro adultos, incluindo o sacerdote orientador, também nos das crianças a regra é a mesma, com tudo entregue a um grupo de “auxiliares” da mesma faixa etária dos participantes. São elas os dois coordenadores, os palestrantes, os responsáveis pela oração, pela limpeza e disciplina, etc. Vale a pena ver como eles assumem com seriedade esses compromissos! No início do Movimento, os encontros exigiam mais dedicação de mim e de alguns jovens ou adultos que me ajudavam a treinar os menores. O que dava mais trabalho eram a palestras e pequenas reflexões que seriam feitas. Aos poucos, no entanto, tudo melhorou, pois alguns jovens se “especializaram” em preparar os menores e a carga ficou menos pesada em meus ombros. Vou dar um exemplo de como se treinavam os palestrantes. Preparei, além do livro para os jovens, um outro, mais fácil, com os esquemas a serem desenvolvidos, em número de onze em cada Encontro. O menor responsável recebia o esquema, com um prazo para lê-lo e copiá-lo num caderno especial. Numa nova cópia, ele ou ela já acrescentava os seus pensamentos e reflexões, inclusive algo colhido em pequenas pesquisas feitas por iniciativa própria. Depois me procurava, ou a outro treinador, para ser julgado sobre o que já estava pronto. Assim, as palestras e meditações eram preparadas com uma linguagem mais infantil, embora bem correta. Os mais inteligentes primaram sempre por essas apresentações. Tive um bom número dessas crianças que, com nove ou dez anos, já eram capazes de desenvolver uma palestra um tanto grande e mais demorada. O efeito dessas apresentações era extraordinário, pois a platéia ouvia em perfeito silêncio o que coleguinhas, do tamanho deles, estavam falando. Lembro aqui um dos nossos garotos de nove anos, estreando numa cidade do Maranhão, fazendo a palestra sobre “a Igreja que somos nós”, durante contados quarenta e cinco minutos, sem nenhum erro de gramática ou de doutrina, com uma segurança impressionante. Quando ele acabou um outro menino da assembléia se levantou e gritou para os outros: “Isto foi a melhor coisa que se fez até agora neste Encontro!”. Lembro também aquela garota de nove anos, coordenando um Encontro, com um companheiro de onze, até parecendo veterana... Por isso e por outros motivos é que eu repito para eles, com toda a minha convicção: “Vocês têm capacidade!”. Porque acredito! Por: Mons. Aderson Neder (In Memorian)

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