Na Rede

04/12/2014

É tema batido que os jovens estão conectados uns com os outros de maneira crescente: os computadores foram perdendo terreno para smartphones cada vez mais potentes, “colocando o mundo no seu bolso”, com uma infinidade de recursos, abarcando muito mais do que o propósito inicial de um telefone móvel: efetuar e receber ligações.

 

Para muitos passa pela completa falta de respeito, aliás, que alguém – amigo, familiar, etc -, mexa em seu celular. Isso causa separações entre namorados, briga entre amigos, ofensas entre irmãos e outros parentes e mais uma infinidade de conflitos de mais ou menos intensidade.

 

O que é aceitável até certo ponto: o celular é um objeto pessoal. Mas, se lá está sua vida, o que você (nós) escondemos dela?

 

Muitos intelectuais do nosso tempo constatam que o “homem contemporâneo” sofre de um problema básico, potencializado pelas novas maneiras de se comunicar: identidade fragmentada. Isso significa que você pode ser uma pessoa na escola ou faculdade, outra no trabalho, outra em casa, outra na loja de conveniência, outra em seu relacionamento de namoro... E não, não estamos falando apenas de funções diferentes, mas de personalidades mesmo, de ser .

 

Na evangelização, parece que há um movimento significativo nas redes sociais. Mas ao mesmo tempo se coloca muito mais em direção a um doutrinarismo do que ao diálogo. Ao condenar mais do que ao buscar amar e compreender, e assim atrair. O chamado de Jesus aos discípulos não é uma série de condições no início, mas um chamado simples e sincero, de coração para coração.

 

Por vezes, a rede em vez de ligar pessoas, as deixa mais “enroladas”. E essa palavra aqui não significa “unidas”.

 

O imediatismo das redes sociais não pode suprimir a reflexão – pensar e falar, ou neste caso, escrever. Amar sugere reflexão, não se ama de uma hora para a outra! Vai se aprendendo a amar, depois a cuidar do amor que foi se criando. Com a evangelização deveria ser assim também – ir cuidando pouco a pouco.

 

É fundamental ter em vista a pessoa de Jesus, suas palavras e ações relatadas do Evangelho, para que possamos partilhar do Reino, de nossa experiência de Deus, principalmente lembrando São Francisco: “preguem o Evangelho em todo o tempo. Se necessário, use palavras”. Então, além de boas mensagens, não se pode esquecer o testemunho!

 

Afora tudo isso, lembrar que é Deus que desperta para o amor que se converte em fé. Somos instrumentos para isso, então, antes de se conectar com todo mundo, se perguntar sempre o que Deus quer que se faça. Como Maria, Mãe de Deus que titula nossa Diocese, estar pronto sempre a dizer “faça-se em mim segundo tua Palavra” (Lc 1, 38). Assim, teremos uma evangelização mais bonita e eficaz.

 

Paulo Correa

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