SEMINARISTAS VIVEM EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA NAS COMUNIDADES DE SALINAS

23/01/2018

 

Terminado o período da experiência missionária dos seminaristas da Diocese de Castanhal, temos hoje o belíssimo depoimento de um dos seminaristas que estiveram lá, dentro da missão, nas casas das pessoas e inserido na realidade social daqueles que os acolheram escutaram a Palavra do Senhor pelo que proclamaram, ou mesmo os gestos e a escuta onde estiveram.


A maior parte de nossa formação nós passamos no seminário
: são aproximadamente 8 anos de estudos nos cursos de filosofia e teologia. É importantíssimo que tenhamos uma sólida e completa educação para melhor servir o povo de Deus... o povo de Deus: este é o ponto de convergência de todo o nosso processo formativo. Somos formados, mais ainda, chamados a nos configurar à imagem de Cristo, o Bom Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas, em vista de cuidar de Seu rebanho, confiado aos Apóstolos, aos seus sucessores, os Bispos, e seus colaboradores, os padres.


Fiz essa introdução para dizer que é no meio do povo que tudo o que estudamos e vivemos no seminário faz sentido, Deus nos chamou, por seu Filho Jesus, para cumprirmos o seu mandato de ir ao mundo inteiro e anunciar o Evangelho a todos os povos (Mt 28,19) com a força do Espírito Santo. É aqui, entre as pessoas, sendo sinal de Jesus nas suas vidas, que realizamos a nossa vocação. Alguém pode pensar que estou exagerando, mas penso assim graças a minha recente experiência missionária em Salinópolis, cidade da microrregião do Salgado, no Pará, pertencente a Diocese de Castanhal.


Todos os anos passamos três semanas do mês de janeiro numa experiência de missão: visita às famílias, encontro com grupos, nas comunidades da cidade e do interior. Vinte e um seminaristas enviados em missão já na primeira semana de 2018. Cada comunidade é uma realidade distinta, cada família uma história, cada pessoa um sinal da presença de Deus, um testemunho, um evangelho a ser lido e gravado em nossas próprias histórias.


Imagine escrever a história de todas as pessoas de uma cidade, todos os fatos marcantes, todas as tristezas, alegrias, lidas da vida comum a todos, mas que cada um enfrenta de uma forma diferente. Seria um trabalho infindável ou até impossível. Contudo, há um ponto onde todas essas histórias se encontram: a presença de Jesus. Como nos Evangelhos sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas), como na vida dos Santos, nossa história é marcada pela ação de Jesus, as vezes no silêncio ou em curas extraordinárias, na alegria quotidiana do servir por amor, na superação dos desafios diários. Ele é fiel a sua promessa: Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28,20).

É a missão que nos proporciona encontrar com Jesus. Sim! Assim como vamos anunciar que Jesus está no meio de nós e age nas nossas vidas, nós vamos encontrá-lo, vivo na vida de tantos irmãos: Jesus menino em tantas crianças que padecem necessidades, Jesus crucificado em tantos doentes no fundo da rede, Jesus peregrino em tantos homens e mulheres que dão a vida para anunciar o Evangelho. Podemos dizer, depois dessa experiência: Vimos o Senhor (Jo 20,25) e tocamos sua carne e por ele fomos tocados e vistos, Ele cuidou de nós, nos deu de comer e beber, aliviou nosso cansaço, deu-nos pousada, nos escutou... Ele está vivo na vida de cada um que se deixa envolver e conduzir pela sua presença e ação de amor.


O que posso partilhar é um pouco o que vivemos, uma pequena parcela (posteriormente escreverei mais algumas experiências de forma mais particular). Se algum dia encontrar com um seminarista e tiver oportunidade de conversar, pergunte sobre sua experiência, com certeza temos algum evangelho vivo para testemunhar. Porém, não somos os únicos os que devemos, aliás, precisamos como parte de um processo formativo, viver a missão, mas todos os batizados, faz parte de nossa identidade, está inerente ao nosso sermos cristãos católicos, é um fato em nossa vida: sermos missionários. Como disse são Paulo e se estende a todos nós cristãos: Ai de nós se não anunciarmos o Evangelho (1Cor 9,16), pois se não o fizermos, não encontraremos o Cristo.  

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