LECTIO DIVINA

07/02/2018

Marcos 1,40-45

 

Meditando a Palavra de Deus

O leproso está excluído da casa, da comunidade e da sociedade: é um morto vivente. Para a lei deve ficar longe de todos. A lepra é c

 

omo o pecado: coloca-nos distantes dos irmãos, na solidão da morte. Quem como a sogra de Pedro, se dispõe a servir, é curado da lepra: passa da morte à vida porque ama os irmãos.

 

Para partilhar a Palavra de Deus

  • Como esta Palavra alimenta a nossa fé? Como ilumina os fatos da vida que partilhamos no começo do encontro?

  1. Por que, transgredindo a lei, o leproso vai até Jesus e O toca?

  2. O que significa tocar e ser tocados pelo próprio Jesus em nosso mal que nos fecha na solidão?

Para a Leitura Espiritual

Papa Francisco

Neste domingo o evangelista Marcos está nos contando a ação de Jesus contra toda espécie de mal, em benefício dos sofredores no corpo e no espírito: possuídos pelo demônio, doentes, pecadores... Ele se apresenta como aquele que combate e vence o mal em qualquer lugar que o encontre. No Evangelho de hoje (Mc 1,40-45) esta sua luta enfrenta um caso emblemático, porque o doente é um leproso. A lepra é uma doença contagiosa e impiedosa, que desfigura a pessoa, e que era símbolo de impureza: o leproso devia estar fora dos centros habitáveis e assinalar sua presença aos que passavam. Era marginalizado da comunidade civil e religiosa Era como um morto-vivo ambulante.

 

O episódio da cura do leproso de desenvolve em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa. O leproso suplica a Jesus “de joelhos” e lhe diz: “Se queres, podes purificar-me” (v. 40). A esta oração humilde e confiante, Jesus reage com uma atitude profunda da sua alma: a compaixão. E “compaixão” é uma palavra muito profunda: compaixão significa padecer com o outro”. O coração de Cristo manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o. E este particular é muito importante. Jesus “estendeu a mão, tocou-o... e logo a lepra desapareceu e ele foi purificado” (v. 41). A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca em uma distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos Dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos “toca” e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente o Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado.

 

Mas uma vez o Evangelho nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal: Deus não vem “dar uma palestra” sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim, Cristo combate os males e os sofrimentos do mundo: assumindo-os e vencendo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus.

 

A nós, hoje, o Evangelho da cura do leproso diz que, se queremos ser verdadeiros discípulos de Jesus, somos chamados a nos tornarmos, unidos a Ele, instrumentos do seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização. Para sermos “imitadores de Cristo” (cf. 1Cor 11,1), diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de nos aproximarmos com ternura e compaixão e de tocá-lo e de abraça-lo. Pedi muitas vezes, às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando-os nos olhos, sem ter medo de tocá-los; que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação: também nós precisamos ser acolhidos por eles. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão... Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham nos olhos deles? Vocês os acolhem sem medo de tocá-los? Vocês os acolhem com ternura? Pensem nisso: como vocês ajudam? À distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim, é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem!

 

(Angelus - Domingo, 15 de fevereiro de 2015)

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