Lectio Divina - Jo 2,13-25

Evangelho: Jo 2,13-25

 

Partilhando a Palavra de Deus

  • Como esta Palavra alimenta a nossa fé? Como ilumina os fatos da vida que partilhamos no começo do encontro?

1- Quantas vezes o nosso relacionamento com Deus não é de filhos com o Pai, e sim de “comerciantes” que querem comprar Dele os seus favores?

2- Quantas vezes o nosso relacionamento com Deus não tem o Espirito do amor, que nos faz amar os outros como filhos Seus e irmãos nossos?

 

Para a Leitura Espiritual

Papa Francisco

 

Neste trecho do Evangelho que ouvimos, há duas coisas que me surpreendem: uma imagem e uma palavra. A imagem é a de Jesus com o chicote na mão que afugenta todos os que se aproveitavam do Templo para fazer negócios. Estes comerciantes que vendiam os animais para os sacrifícios, trocavam moedas.... Havia o sagrado — o templo sagrado — e fora esta sujeira. É esta a imagem. E Jesus pega no chicote e vai em frente, para limpar um pouco o Templo.

 

E a frase, a palavra, é aquela que diz que muitas pessoas acreditavam nele, uma frase terrível: «Mas Ele, Jesus, não confiava neles, porque conhecia todos e não precisava que alguém desse testemunho acerca do homem. Com efeito, Ele conhecia o que há no homem» (Jo 2, 24-25).

 

Nós não podemos enganar Jesus: Ele conhece o nosso íntimo. Não tinha confiança. Ele, Jesus, não confiava. E esta pode ser uma boa pergunta no centro da Quaresma: Pode Jesus ter confiança em mim? Pode Jesus confiar em mim, ou tenho duas caras? Mostro-me católico, próximo da Igreja, e depois vivo como um pagão? «Mas Jesus não sabe, ninguém vai lhe contar». Ele sabe. «Ele não precisava que alguém desse testemunho; com efeito, conhece o que há no homem». Jesus conhece tudo o que está dentro do nosso coração: nós não podemos enganar Jesus. Não podemos, diante dele, fazer de contas que somos santos, e fechar os olhos, fazer assim, e depois levar uma vida que não é como Ele quer. E Ele sabe-o. Todos sabemos o nome que Jesus dava às pessoas com duas caras: hipócritas.

 

Hoje, far-nos-á bem entrar no nosso coração e olhar para Jesus. Dizer-lhe: «Senhor, repara, há coisas boas, mas há também coisas más. Jesus, confias em mim? Sou pecador...». Isto não assusta Jesus. Se tu lhe dizes: «Sou um pecador», não se assusta. A Ele, o que o afasta, é ter duas caras: mostrar-se justo para cobrir o pecado escondido. «Mas vou à igreja, todos os domingos, e eu...». Sim, podemos dizer tudo isto. Mas se o teu coração não é justo, se tu não fizeres justiça, se não amares aqueles que precisam do amor, se não viveres segundo o espírito das Bem-Aventuranças, não és católico. És hipócrita. Primeiro: Pode Jesus confiar em mim? Perguntemos-lhe na oração: Senhor, confias em mim?

 

Segundo, o gesto. Quando entramos no nosso coração, encontramos coisas erradas, que não estão certas, como Jesus encontrou no Templo aquela imundície do comércio, dos negociantes. Também dentro de nós há sujeiras, pecados de egoísmo, soberba, orgulho, cupidez, inveja, ciúmes... tantos pecados!

 

Podemos também continuar o diálogo com Jesus: «Jesus, confias em mim? Quero que confies em mim. Então eu abro-te a porta, limpa a minha alma». E peçamos ao Senhor que, assim como foi limpar o Templo, venha limpar a alma. E imaginamos que Ele vem com um chicote de cordas... Não, com ele não limpa a alma! Vós sabeis qual é o chicote de Jesus para limpar a nossa alma? A misericórdia. Abri o coração à misericórdia de Jesus! Dizei: «Jesus, olha quanta sujeira! Vem, limpa. Limpa com a tua misericórdia, com as tuas doces palavras; limpa com as tuas carícias». E se abrirmos o nosso coração à misericórdia de Jesus, para que limpe o nosso coração, a nossa alma, Jesus confiará em nós.

(Homilia - domingo, 8 de março de 2015)

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