Reflexão do Evangelho – 3º Domingo da Quaresma - Lc 13,1-9

22/03/2019

 

 

O mal, que vemos na história e na natureza, é um apelo para nos converter. Se nós somos filhos, somos chamados a nos tornar irmãos, sabendo que não somos donos nem da vida dos outros nem da nossa. Ao longo dos "três anos" do seu ministério o Senhor labutou para que nós levássemos o fruto do amor a ele e entre nós.

Não encontrando o fruto do amor, em lugar de nos destruir, espera mais um ano. Até hoje ele está na espera que nos convertamos.


Narrativas de morte, no Evangelho, e grandes perguntas. Que culpa tinham aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? É Deus que manda o terremoto? Para castigar alguém derruba uma cidade? Jesus toma as defesas de Deus e dos mortos: a mão de Deus não produz morte; o eixo ao redor do qual gira a história não é o pecado.


Quem sofre se pergunta: O que fiz de mal para merecer este castigo? Jesus responde: Nada, não fizeste nada de mal. Deus é amor e o amor não conhece outro castigo a não ser castigar a si mesmo. Deixa! Para de pensar que a existência aconteça na sala de um tribunal! Deus não desperdiça a sua eternidade em condenações, ou em vinganças.


"Onde está Deus?", todos nos perguntamos isso no dia da dor incompreensível. O Salmo 56 responde assim: Deus está no reflexo mais profundo das lágrimas, e as recolhe uma a uma, para que nenhuma gota de dor fique perdida, e as guarda. O Senhor guarda as lágrimas do homem, elas são preciosas aos seus olhos. São sagradas, tesouro de Deus.


Recolhidas pelas suas mãos, elas se transformam em gemas de luz. Um imenso arquivo de lágrimas está guardado junto de Deus. De lágrimas, não de pecados. A eternidade de Deus é enxugar toda lágrima do rosto de cada homem.


As pessoas interrogam Jesus sobre os fatos noticiados, e são convidados a olhar para dentro de si: "Se vós não vos converterdes, irei morrer todos do mesmo modo".

Duas torres gêmeas esmoronaram, num 11 de setembro de alguns anos atrás, mas para muitos foi somente um fato espantoso, inimaginável, um evento que deixou todo mundo estarrecido, rapidamente esquecido, e não tanto um apelo, um chamado a conversão. Se o homem não muda, se não trilha outras estradas, se não se converte em construtor de paz e justiça, esta terra, a nossa casa comum, irá para a ruína porque é alicerçada na areia da violência e da injustiça.


Jesus colocou isso como ápice do seu Evangelho, que resume tudo: Amai-vos, do contrário vos destruireis todos. O Evangelho é tudo isso. Amai-vos, do contrário morrereis todos, acabareis em vidas espantadas e inúteis.
A parábola da figueira estéril mostra como Deus age: quem o representa de verdade não é dono exigente, que quer frutos, justamente, mas o camponês paciente e confiante: quero trabalhar mais um ano ao redor desta figueira e talvez venha a produzir fruto.


Deus da esperança: mais um ano, mais um dia, mais sol, chuva e trabalho, esta arvore é boa... Tu és bom: darás fruto! A esperança caminha atraída pelo futuro, não por aquilo que passou.

Deus é como um camponês para comigo: ao redor desta videira, deste campo semeado, desta pequena horta que sou eu; trabalha e cuida de mim, sinto suas mãos sobre a minha terra, faz que ao meu redor o sol e a água levem ainda vida.


"Veremos se talvez, no futuro dará frutos". Neste veremos, neste talvez, está o milagre da piedade divina: uma pequena probabilidade, uma chama fumegante, uma cana rachada, são o suficientes para que Deus espere. Fica satisfeito com um talvez, se agarra num frágil talvez.


Deixa mais um ano aos meus três anos de inutilidade; e confia, além daquilo que é razoável. Para ele o bem possível amanhã conta mais do que a esterilidade de ontem.


Converter-se é mudar nosso olhar, é crer num evangelho cuja lei vital é a fecundidade, o florescer da vida. A moral evangélica é a moral do fruto bom, da espiga carregada, do cacho maduro, do pão doado, da palavra que consola de verdade, do sorriso que ilumina.


Converter-se é crer neste Deus camponês! Camponês símbolo da esperança e da seriedade, que toma conta como ninguém daquele pedaço de terra que é o meu coração. Eu dou confiança àquele que me dá confiança.


Salvação é levar frutos, não só para si, mas para os outros. Levar a maturação todo germe de bem que o Senhor colocou no nosso coração. Como a figueira que, se vive somente para si, não vive. De fato, para viver, para se realizar, deve dar fruto bom para a fome e a alegria dos outros, um fruto que ajude a saborear e amar a vida.


Assim, para ser feliz o homem deve dar: é a lei da vida.
Ó Pai, as tantas situações dramáticas que atingem nossa vida são uma ocasião para pensarmos na nossa condição humana que terminará, naturalmente, na morte, para recordar a nossa fragilidade e levar-nos a voltar o nosso ser para Ti, que podes dar verdadeiro sentido à nossa vida.

 

Tu, ó Pai, és infinitamente paciente para conosco, conheces nossa fragilidade e nossos pecados, e mesmo assim, nunca deixas de ter confiança em nós, não queres punir-nos, mas fazer-nos viver. Abre, pois, o nosso coração para que empreendamos a amar a Ti e aos nossos irmãos. Que o teu Espírito
guie os nossos pensamentos, as nossas palavras e os nossos atos e produza em nós os frutos que Tu esperas.


"Convertei-vos!" Sim, mas eu não roubei, nem matei, levo uma vida honesta.

Por que deveria eu converter-me? Precisamente, Cristo quer que sejamos diferentes das pessoas que não têm nada para mudar, que se consideram prontas, intocáveis e imóveis. Em nossas famílias precisamos nos educar para o consumo responsável e para a solidariedade.

Cientes da situação do próximo e do planeta nós temos que nos abrir à comunidade, à sociedade, à nação, e a toda a humanidade, promovendo a educação para a justiça e a solidariedade e a educação ambiental na evangelização, catequese e em todos os níveis.

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