Visita Pastoral em Igarapé-Açu

 

Igarapé- Açu, no teor do nome: ”caminho de canoa grande”, cenário de veias amazônicas onde gerações carregam os traços dos Tembés e dos migrantes nordestinos que, somados aos espanhóis, ali passaram.

 

Iniciada com o trânsito pelas águas dos rios e igarapés, que constituem, também, a bacia hidrográfica do Marapanim, Igarapé-Açu firmou-se como centro urbano, nas margens da linha férrea, atual rota turística Belém-Bragança.

 

No período de 03 a 10 de outubro, do ano 2019, trilhando essas terras , viajou Dom Carlos Verzeletti, bispo de Castanhal, em sua III Visita Pastoral. Um homem que evangeliza, clamando pela causa amazônida, em especial, pela sua gente que está no campo e na cidade. Assim, passou, pujante, com grande força nos gestos, no semblante e nas palavras de uma Igreja missionária e evangelizadora.

 

O início foi com uma festiva caminhada, embalada por um trio, que conduzia o ministério de música da Paróquia São Sebastião, que cantava, rezava e motivava o povo a sentir a presença do pastor que, chegando à matriz celebrou a Missa de abertura.

 

Dom Carlos, que há pouco retornava de Roma, participando do Sínodo para a Pan-Amazônia, durante a homília, com referência a esse evento, disse: “ ... foram 21 dias de intensa reflexão com o futuro, da não só da Amazônia mas com o futuro da terra. Naqueles dias, grandes cientistas foram mostrando o futuro que nos espera. É um futuro dramático, que muitos não querem ver e nem ouvir, que muitos, também, que são chefes de países, não querem levar em conta em suas políticas”. Falou de uma frase que ecoou tantas vezes no Sínodo : “tarde ,será tarde demais”. Uma referência gritante, de uma data que será o começo do fim: o ano 2040. “ ...se nós não conseguirmos estancar o aumento da temperatura da terra, as crianças de hoje, irão encontrar uma terra, onde será quase que impossível viver, onde as doenças irão se multiplicar, a desertificação tomará conta de tudo”.

 

O itinerário da Visita Pastoral se intensificou ao longo da semana. O Bispo esteve presente em todas as comunidades que constituem a Paróquia. Onde chegava, era sempre muita a acolhida, e o ambiente predisposto: mesa farta, com produtos extrativos, cultivo dos próprios colonos, e o Bispo não perdia a oportunidade em apresentar o perigo sobre o uso de agrotóxicos nas culturas, que resulta em solo e água contaminados. A cadeia alimentar comprometida que mata o homem e a natureza. Já na Carta Pastoral 2019, quando se refere à imensa periferia que é a Amazônia, Dom Carlos mencionava que cada comunidade escolhesse uma pessoa de bem e cheia do Espírito Santo, com finalidades de exercer em nome da Igreja, o serviço de defensor da vida e da natureza.

 

Impressiona ver que todos querem chegar perto, abraçar, ser tocados pelo Bispo. Dom Carlos está atento aos relatos descritos pelos animadores. A visita aos doentes, às famílias, encontrar setores pastorais como a pastoral familiar, catequese, CPP, e reunião com o poder público, com autoridades municipais e a sociedade civil, fizeram parte dessa Visita Pastoral.

A Paróquia de São Sebastião tem, como pároco, o Padre Antonio Lima, da Arquidiocese de São Paulo, que à Pascom, declarou: “ minha experiência aqui, nesta Visita Pastoral, é inédita. As pessoas das comunidades têm Deus no coração. Vivem o Evangelho na prática, de modo especial, digo que das 81 comunidades, 98% delas têm a Lectio Divina. É maravilhoso quando a Palavra de Deus é fecunda; é a própria vida das comunidades. Agradeço a Dom Carlos, Bispo da diocese, de proporcionar esta experiência que , quando retornar a São Paulo, levarei comigo como parcela deste aprendizado aqui, em Igarapé-Açu”.

Durante toda a Visita Pastoral, também, presente e atuante, foi o Padre João Ricardo, que, desde sua ordenação, está auxiliando nas ações pastorais da Paróquia.

 

À Pascom presente, Dom Carlos relatou: “ estamos em Igarapé-Açu, na Visita Pastoral. Uma semana tão rica, tão cheia de sinais que manifestam a bondade de Deus. As comunidades, por onde andei, são animadas, que celebram o dia do Senhor, e se dedicam a catequese. Isso me anima muito. Ao mesmo tempo, nestes dias, estou partilhando as conclusões do Sínodo para a Amazônia, para que possa fazer, cada um, a sua parte, reflorestando, preparando viveiros de mudas para poder, sobretudo, plantar nas áreas degradadas, diminuir o lixo, e levar uma vida mais sóbria. Afinal, cada um se comprometer a cuidar da Casa Comum. Deus nos deu esta Casa não para destruí-la , mas para fazer com que todos tenham vida, e diante deste apelo de Deus, as pessoas aderirem ,ficarem interessadas. A fé anda junto com a vida, e tem como finalidade transformar o mundo...Agradeço ao Padre Antonio e ao Padre Ricardo que acompanham esta Paróquia , pelo testemunho e incentivo. Dou graças a Deus por tudo que eles estão realizando aqui em Igarapé-Açu, de ver como estão presentes, e continuo rezando que mais frutos venham desta Visita Pastoral”.

 

Texto de Vânia Sagresti e fotos de Everardo Freitas

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